segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Entre bimby e bimba

Creio que já me defino - sou uma bimby, misturo tudo, cozinho tudo, trabalho qualquer tipo de massa, confeciono um pouco de tudo (do que há não falta nada ehhehe).
Ela sentia-se cansada mas disposta a sair para trabalhar. Não que o trabalho ou o ordenado lhe fizessem bem, por certo não a fazia descansar, mas fazia com que o seu cansaço tivesse nome, e não fosse daqueles que os dedos apontam a toda a hora. Ela sentia-se uma rainha, pois o pouco que tinha dava para saborear os passeios da vida. Ela regozijava-se com os olhares de pessoas desconhecidas - observava formas de caminhar, erros de direção, cabelos ao vento, sapatos toc-toc, perfumes que falavam...mas os olhos deixavam que tudo o resto passasse a ser secundário.
Ela não ía às compras, não fazia a cama. Mantinha a esperança de o rever ali, deitado a olhar a parede e o fumo que saía de sua boca. não, ele não voltaria, ele ganhara ódio, ela saudade.
Ela não passeava animais, não ia a hospitais, não comia sardinhas...sentia saudade, que tão rápido se transformou em liberdade que haveria muito por e para festejar. Mas tinha de trabalhar. mas tinha que festejar.
O lixo que juntava em baixo da cama deixara de ter nome, era uma bola de recordações embrulhadas em cotão. A sua foto já não estava acesa. A sua cama já não estava adicta. A sua pele já não brilhava e o seu iluminador estava no seu fim...o fim de Ana e o fim de ano - qual dos dois eleger?
Ela estava cansada e tinha sono, mas os espasmos de languidez que a acompanhava permitiam que a noite fosse para descansar, e vibrar.
 
 
 
 
Ela não sabia com quem falar.

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