sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Não chove água, apenas memórias

Pois estava, lá estava ela no corredor de uma  Fnac, passeando os olhos, que passeavam livros sobre algo que não se conseguia adivinhar sequer. Também não interessava, interessava mais saber como seria possível ser-se irritantemente tão belo - aquela beleza que desvasta por completo qualquer réstia de estima, corpo hirto, anca nem assim nem assado, tornozelo perfeito, mãos desgraçadamente delicadas, e um olhar vazio,  daqueles que se quer espreitar lá para dentro e não se consegue!! Odiava aquela beleza, dava vómitos e calafrios...
Ele - que de beleza já farto estaria, mas não tanto  - disse-lhe: "Olha como ela olha para ti. Agora sentou-se no sofá, olha, olha-a, ela não nos está a ver, podes olhar!" (a mocita, envergonhadita, lá olhou, mas não queria acreditar,e também lhe irritava a beleza). "Para que é que queres que olhe para ela? Eu já a vi, interessa-me, mas é bela". " Olha como ela também te olha" . "Não quero saber, é bela, irrita-me, e pegou num manual sobre fotografia digital, isso irrita-me, sabes bem que certas modinhas me irritam." "Não importa isso, olha-a!! Ela quer-te , de certeza". "Menos".
Ela continuou no corredor, agora já sentada no sofá, perna cruzada, bela, mas suja de beleza, aquela sujidade que jamais sai, nem com quilos de porcaria, é uma beleza imune. E ali ficou, com seu manual, não sei se o lia, ou se apenas o segurava para não estar só entre nós.


terça-feira, 27 de novembro de 2012

Pesadelo de luxo

 
 
Falta uma coisa neste colar - um coraçãozito daqueles trincados pelos dentes de crianças, onde se lê "culpa".
 
É isso que se sente - CULPA.
 
É isso que condiciona o depois.
 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

No pity - just a little

Vítima da sua própria vitimização - assim estava, nessa condição.
As facas grandes assustavam, bem como as campainhas, os passos nas escadas, o toque do telefone, as mensagens anónimas, a chegada da mãe, o choro de uma criança, a sentença de uma família, o sentimento ali preso, preso, preso, preso!!! PRESO!...
Testemunhava o nascer do sol, o meio-dia, o lusco fusco, a noite, sem se mexer. Várias investidas eram feitas, in order to get some life..whatever life is..mas a autocomiseração era imponente, cabra, latente.
Lia às vezes, sem se mexer, às vezes também comia, aí já mexia os lábios, maxilares, dentitos, pobrezitos...refletia sobre epitáfios já vistos e programava o seu..sempre a bater com a mão direita na sua perna, em compasso binário.
Refletia também sobre chavões daqueles que fazem semi cerrar olhos, como o Boi Bocas quando a minhoca engoliu o peixe. "Quando se quer muito uma coisa, consegue-se!" - haverá algo mais irritante do que isto? E esta?: "O natal deveria ser todos os dias" AAHHHHHHH!!!SOCORRRO!!!!
you should see her now  - cama, compasso binário, silêncio, medo, terror, facas, facas, facas, medo das facas..e da campainha da porta!!!
No pity , said she - but she wanted, poor child...


domingo, 25 de novembro de 2012

No panic, please! Keep on....


Amizades




Pois...eu diria antes "inimigos" . Um espelho só é amiguinho quando está caladinho, a ver um certo corpinho cobrar um certo miminho a si próprio. Não, também é amiguinho quando assiste a momentos ternos entre o ele e o ela, momentos graves também, quando leva encontrões com a força da natureza. As duas meninas já não se beijam em frente a ele. O espelho reclama..
O espelho e a câmara afinal gostam um do outro, e jogam um com o outro, de maneira a que ele ou ela fiquem sempre bem, ora de pé, ora deitados, ora no ar, ora no chão...que bela parceria....
Tanta coisa inútil aqui dita, ou só queria dizer que adoro espelhos e câmaras em atos erótico-pornográfico-amorosos.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Entre bimby e bimba

Creio que já me defino - sou uma bimby, misturo tudo, cozinho tudo, trabalho qualquer tipo de massa, confeciono um pouco de tudo (do que há não falta nada ehhehe).
Ela sentia-se cansada mas disposta a sair para trabalhar. Não que o trabalho ou o ordenado lhe fizessem bem, por certo não a fazia descansar, mas fazia com que o seu cansaço tivesse nome, e não fosse daqueles que os dedos apontam a toda a hora. Ela sentia-se uma rainha, pois o pouco que tinha dava para saborear os passeios da vida. Ela regozijava-se com os olhares de pessoas desconhecidas - observava formas de caminhar, erros de direção, cabelos ao vento, sapatos toc-toc, perfumes que falavam...mas os olhos deixavam que tudo o resto passasse a ser secundário.
Ela não ía às compras, não fazia a cama. Mantinha a esperança de o rever ali, deitado a olhar a parede e o fumo que saía de sua boca. não, ele não voltaria, ele ganhara ódio, ela saudade.
Ela não passeava animais, não ia a hospitais, não comia sardinhas...sentia saudade, que tão rápido se transformou em liberdade que haveria muito por e para festejar. Mas tinha de trabalhar. mas tinha que festejar.
O lixo que juntava em baixo da cama deixara de ter nome, era uma bola de recordações embrulhadas em cotão. A sua foto já não estava acesa. A sua cama já não estava adicta. A sua pele já não brilhava e o seu iluminador estava no seu fim...o fim de Ana e o fim de ano - qual dos dois eleger?
Ela estava cansada e tinha sono, mas os espasmos de languidez que a acompanhava permitiam que a noite fosse para descansar, e vibrar.
 
 
 
 
Ela não sabia com quem falar.

domingo, 18 de novembro de 2012

Brand New - nova aquisição -gostei - gosto - para pescoços sem culpa.
Comprei-o na Stradivarius.


 
 
Brand new - nova aquisição -gostei - gosto - para pescoços sem culpa.
Comprei-o na Stradivarius.
Não foi impulso, foi pensado, por motivos vários, entre os quais, o gosto por peças despretensiosas..não são peças que só existem...uma vez colocadas no lugar certo, ganham vida e deleite alheio..assim meus olhos o dizem :)

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

It would be a waste of time...but a pretty one!

 
 
 
I just wish love could be people's religion, instead of football, food and some god once in a while.
 
 
 
(after reading some love letter from Keats)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Step forward


Sebastian

Não, não vou falar de Bach, nem da Little Britain, nem dos Skid Row. Quero falar do que o meu cabelo necessita. Precisa de tratamento físico e espiritual...precisa de uma massagem, de algumas pontitas cortadas, de carícias de dedos sem medo, de vento gozado ao sol, de chuva que o toca em si (pode ser bemol), precisa de una quantos itens que perfazem uma lista que assusta qualquer conta bancária.
Mas elejo um, hoje, só hoje, porque tenho necessidade, porque não o tenho, porque o cabelinho chama por ele - vem a mim, vem!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um casaldente.

O pior aconteceu. Naquela madrugada quente e chuvosa, onde dois seres falavam a dois mil e novecentos quilómetros por hora, um deles perdeu um dente. Não chorou, nem entrou em pânico, apenas olhou-o bem, inspecionou bem a podridão que testemunhara já muitos fármacos e vergonhas, e deitou-o ao lixo, fazendo até um esforço para não o lançar ao ar, e o comer.
Os dois seres não se conheciam, mas falavam sobre todos os tormentos e nações que já tinham galgado..tão bonitos, ali encolhidos, desvastando escrúpulos, comendo do próprio sal que jorravam..
O dente, ao ver-se no lixo, desejou nunca ter vivido, e até chorou, mas os dois seres só queriam aglomerar todo o conhecimento e fazer um intercambio. Loucos. Poucos. Deitaram-se para o sal escorrer melhor - um não suportava a saudade, o outro desejava nunca a ter sentido...tal como o dente não desejava ter vivido
 


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

I against I


                                                 
                                                 I against I -  não sei o que fazer comigo.