Às vezes vivo sozinha. Dou por mim na cama, com dores, querendo abrir um simples frasco de um medicamento e a não conseguir. Abro a boca em jeito de chamar alguém, mas abafo o som, pois ninguém virá. Não o tomo. Passados 10 minutos sinto fome, mas pouco há que comer na cozinha, o supermercado ainda fica a 2 bairros de distância e chove e com estas dores não me movo, ou quando o faço, gemo; a cozinha também fica longe para a alcançar, mas ainda invisto uma ou duas vezes quando a fome se sente na cama..desta vez fico-me por aqui, faço de conta que o sentir fome é psicológico. Adormeço.
(Sonhei que estava numa festa com muita gente, a música pedia-me que bailasse, os movimentos em oito das pessoas faziam-se sorrir e quase que voei.)
No dia seguinte continuo a viver sozinha. Tocam a campainha de manhã, seguido de um bater de porta com punho, seguido do meu silêncio..não sei quem é, tenho medo de saber quem é, embora curiosa, sempre; mas as dores persistem e se me levanto, quando chegar à porta já a pessoa se foi, o que pode ser bom mas também pode ser mau. Acabo por me levantar, a custo, arrastando os ossos até onde os possa lavar. Vejo o espelho, a medo mas curiosa, sempre. Continuo a viver sozinha, às vezes.

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