terça-feira, 30 de abril de 2013

Medo namora desejo que namora sono

Despertou com o ruído de vidros mil explodindo, ergueu meio corpo da cama, ligou o seu wireless mental e até deixou de respirar, só para se certificar de um mínimo som que fosse. Nada de diferente escutou, nada de vidros, apenas os carros voando, um choro de criança, um cântico de senhora de limpeza de escadas... pouco mais. Voltou a deitar-se. Voltou a adormecer.


Durante este sono (já era o terceiro em duas horas) sonhou que mortos estavam vivos e que vivos estavam mortos. Despertou com o ruído da sua respiração. Levou as mãos aos lábios para se certificar que era pessoa, também sentiu o nariz, a testa..os dedos deslizando nas diferentes texturas que um rosto apresenta lembrou-lhe as mãos de pessoas que nunca sentiu. Excitou-se física e intelectualmente.


Já de corpo relaxado, findo o êxtase, escutou o telemóvel tocar, muito alto, como se os telemóveis tocassem sempre mais alto e mais prolongado consoante a importância e a urgência da pretendida comunicação. Ainda assim não atendeu. Adormeceu.



2 comentários:

  1. Os seus textos são excelentes e adoro seu jeito de escrever, vou me inspirar nisso!:)
    Posso sentir toda sua descrição e até prender minha respiração junto com o narrador. Ainda, sinto uma familiaridade com o seu texto como se fosse uma história intimamente pessoal!
    Started a fan yesterday, but a BIG fan today!

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  2. Quanta honra ter como comentário (e que se note: o primeiro!) e elogio algo vindo de um escritor como tu :) Muito obrigada, fico super feliz..não creio que necessites de mais inspiração, acho até que já nasceste inspirado..com um dom para nos encantar com tua escrita e ideias.. you are truly very very welcome!! ;-)

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