domingo, 6 de janeiro de 2013

2 ou 3...

Noites loucas - podia ser o título piroso de um período correspondente a 2 ou 3 anos da sua vida. Só?? "E não são muitos! E não são poucos!" Pois sim, depende do que é vivido, realizado, perpetuado, olvidado, aturado, axadrezado...A verdade é que aquelas noites eram repetitivas: saía de casa às 19h20, ia fazer umas horas numa pastelaria de má fama num centro comercial da cidade, e no fim do expediente, se não tivesse uma espera (surpresa ou não) que a acompanhasse e fizesse da sua noite algo divertido e..especial, porque não?, tratava de buscar o equivalente só ou com amigos. O marido sempre em casa, a dormitar, só despertando para um cigarro e uma cevada. Ela queria ir sentir como o sangue ferve em músicas noturnas, sentir aquele disparo que vem do fundo da barriga e atinge a garganta, assim que o via. É - quando via aquele ser, sabia que estava viva. Ela temia ser descoberta mas a excitação de estar com o que se pode chamar de fruto mais que perfeito, fazia-a esquecer tudo, tudo, até da sua com(postura). Ele não era exclusivo do seu catálogo, a loucura era tanta, que numa noite poderia até colher outros frutos, mais 2 ou 3.
Depois da colheita, voltava a casa, com passos rastejantes mas não muito lentos, outras vezes nem era necessário andar, automóveis confortáveis carregavam-na. Ainda havia outras vezes que nem a casa regressava (hoje vou dormir a casa da minha mãe, ok?). Colheitas... sempre a mesma busca - a hunter pretending to be hunted - coisinha maifácil de fazer, mas era compulsivo já.
No catálogo sobressai um (ainda hoje) e esse tem direito a banda sonora, é graças às noites loucas com esse demo carregado de bondade suja que os seus ouvidos ainda tilintam quando ouvem as batidas de rudebox, ou de sexyback, ou de maneater. Pois é, mas que musiquinhas para servirem de recuerdo, mas assim era. Explicação: culpa da MTV que passava sempre a mesma coisa à mesma hora. À chegada a casa, cansada mas contente, encontrava o marido no sofá, a dormitar, "olá", a televisão a dar qualquer coisa que ela nem via porque colocava logo na MTV. O porquê? Sem porque, era vício ou rotina, como as noites loucas, como o cigarro que acendia enquanto se sentava no sofá e produzia a retrospetiva de umas horas regadas a sexo, drogas e medo. Ainda hoje as músicas a perseguem e ela às músicas, só para não apagar as horas regadas a sexo, o resto está extinto, com perigo de volta, sempre. Noites loucas, onde o sentimento esbugalhava qualquer tentativa de apelidar os atos de promíscuos.



2 comentários:

  1. Alguns anos da minha vida foram dedicados a noites loucas como essas, regadas à liberdade, à experiências, nem sempre boas e na sua maioria meio bizarras, vendo o sol nascer e aquecer o rosto, fingindo ser caça e sendo caçador, provando o proibido, regozijando, arrependendo, flagelando, rompendo, começando, com trilhas sonoras que sempre me remetem aquelas noites em que as horas pareciam alguns minutos, em meio a um turbilhão de músicas, perfumes, sotaques...
    Ainda hoje revisito umas noites loucas, faz bem para o espírito, faz bem para o ego, faz bem para alma e faz bem para as lembranças! Revisito minhas filosofias, ponho em cheque os julgamentos, mesmo aqueles que não queremos fazer e descubro um pouco mais sobre mim.
    Adorei o texto!

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  2. Muito obrigada, realmente o teu comentário acaba por complementar muito bem o meu texto, e fez-me refletir ainda por cima :) É..noites loucas sim.."red flags and long nights" ficava melhor aqui mas a culpa é da MTV ;) revisitar estas noites faz sim muito bem, e disseste algo pertinente : "descubro um pouco mais sobre mim"... well said ,again, muito obrigada, abraço **

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