sábado, 27 de outubro de 2012

É difícil entender a compaixão...eu sei que é. Eu tenho-a e também não a compreendo, quero afastá-la mas ela é carraça, tento ignorá-la mas ela é má para mim. Mas como eu tenho compaixão por ela...aturo-a.
A minha mãe pediu-me para a acompanhar ao cemitério ("ajudas-me a limpar o jazigo e assim..."), eu nem respondi, mas irei...ela pensa que me ajudará se me fizer sair de casa, julgo eu..! A minha carcaça pode acompanhá-la, mas eu estarei sempre aqui, aterrorizada, morta mas nem tanto, no ponto intermédio...senti um enorme pavor ao ler "A Morte de Ivan Ilitch"...ainda por cima acabei de o ler no hospital, enquanto esperava 3h por uma consulta médica...o mundo fluía..em harmonia...Ivan Ilitch esperava a morte, aterrado, o meu médico (reconheci-lhe a voz) carregou em algum botão e ouviu-se na sala de espera (as pessoas riram-se, e eu) "- não, o senhor não vai morrer disto", eu aterrada vivo, perseguida pelos fantasmas do passado (que rica expressão, nem a posso ver) e pelos do futuro...o presente...é isto aqui.
 (Não, não vou complementar este post com uma imagem do "Grito", seria o cúmulo do cliché, e hoje não estou para isso, apesar do conteúdo do textito)

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