sexta-feira, 14 de junho de 2013

Contraria(mente)

Contrariamente ao que se possa pensar, tanto dói amar sem ser amado como ser amado sem amar, seja lá o que queira dizer este verbo  - amar - já sei, desde que o Homem se levantou ainda não conseguiu definir "amor".
Depois de ler suas palavras, as lágrimas caiam cara abaixo de Madalena, que por sua vez não estava arrependida. Não tinha amado um Jesus, mas também não tinha sido um Lúcifer. Tinha sido um  homem na sua vida, um valente homem, o que a fez voltar a um estado embrionário quando tiveram a primeira conversa, já lá vão uns anos. Ler aquele "amo-te" pica, fere, come, desdorme, e ela mantinha-se desperta..mas não esperta. Deitou-se na cama, que era o seu habitat natural há décadas, com a face voltada para o teto. Imaginou que morreu. Depois imaginou que acordou da morte. Depois pegou num arco de cabelo que repousava a seu lado, nos lençóis, e sentiu-lhe os dentes com os dedos - colocou-o como se fossem uns óculos, à boa maneira das crianças de 3 anos; depois colocou-o no pescoço, mas era tremendamente desconfortável; finalmente deixou-o descansar sobre o seu rosto, com o dito arco em C  apoiado na testa e no queixo, e imaginou que era uma mulher lua e nua.
Manobras de distração impotentes, porque o "amo-te" seguia em sinos descompassados, ecoava por toda a sua existência, castigava-a por um fio muito fino que divide a culpa da frieza. Arco para o chão, roupa no corpo, um fechar de olhos, um tapar de ouvidos, um gemido de mimo, um arrepio de purgatório. Foi amada e isso doeu..e deverá dar mais dores durante uns anos.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Do not wake up

Eu não quero a realidade, obrigada. Hoje não, tal como nos dias anteriores. Cobertores!!! Tapem-me, por favor, cubram-me o corpo que treme sem fim, sem frio, sem se fiar nas máximas que dizem que a vida vai melhorar. Enfrentar o dia tornou-se o maior pesadelo da noite.
 
 
 
 
 

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Cantiga da embriaguez...

Estou embriagada do teu não existir -  um elixir tóxico, sepultado na garganta, no peito, nas coxas e na vagina do  meu corpo. A vodka ainda sobe ao nariz, o sexo sobe às têmporas deste crânio que já quase nada absorve..apenas memórias.
 
Estou embriagada. Foleira. Dizzy. Enjoada.
 
Os ditos homens rodopiam em volta de uma chama enganadora, que parece que brilha, que atrai, que seduz, que provoca..mas nada de isso faz...somente dança. Danço. Copo com corpo, cigarro com sede, corpo com som, som com gesto de quem vai para a cama...dançar.
 
Os ditos homens parecem pedras de altar, mortas, somente adoradas porque as catalogaram, lhes deram um estatuto..mas tento falar com elas e elas são só pedras. E que espero eu de pedras? Nada. Só o seu ocupar de espaço, às vezes pesadas de transportar se necessário.
 
Estou embriagada com minha existência, que se deita numa cama de livros, rascunhos, migalhas de bolachas, e um vómito de serpente, de rei posto, de asco.

Já é dia..estou perdida entre o sono e a magia. Combatem...veremos quem ganha.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

 Olhos acesos na penumbra do meu ser, que de tanto não ser, ilumina um vazio do querer ser. O nada também vigora, também se adora, também se reconhece que de vez em quando apetece. Depois da profundidade e da profunda idade deste statement, eu confesso que me resigno à condição de velha. Velha, antiga, usada, mascavada, incinerada numa conversa de esplanada.
Deixo a coroa alba cair e rendo-me.
Velha desgraçada...um simples errozito de cálculo e destrois seis pedaços de corpo teu. Paga. Humilha-te. Rasga-te...e não voltes.


domingo, 19 de maio de 2013

Dor de cotovelo

Eu pensei que já tinha visto de tudo - seres imateriais apenas com olhos verdes, um psiquiatra que desabafa com os pacientes, um homem que pensava que excitava a namorada por imitar os seus gestos, o Blitz a sugerir as 10 melhores canções para fazer amor, um corretor de olheiras durar 2 anos, Espanha retroceder no tempo e retirar a disciplina de filosofia como obrigatória e substituí-la por religião católica (século XXI)...mas não..nunca tinha visto sofrer do cotovelo, ficar com ele dorido, esfolado, de tanto roçar..não sei bem onde..fenómeno estranho, mas que dói lá isso dói... é isso e o calo debaixo da língua...