terça-feira, 30 de abril de 2013

Medo namora desejo que namora sono

Despertou com o ruído de vidros mil explodindo, ergueu meio corpo da cama, ligou o seu wireless mental e até deixou de respirar, só para se certificar de um mínimo som que fosse. Nada de diferente escutou, nada de vidros, apenas os carros voando, um choro de criança, um cântico de senhora de limpeza de escadas... pouco mais. Voltou a deitar-se. Voltou a adormecer.


Durante este sono (já era o terceiro em duas horas) sonhou que mortos estavam vivos e que vivos estavam mortos. Despertou com o ruído da sua respiração. Levou as mãos aos lábios para se certificar que era pessoa, também sentiu o nariz, a testa..os dedos deslizando nas diferentes texturas que um rosto apresenta lembrou-lhe as mãos de pessoas que nunca sentiu. Excitou-se física e intelectualmente.


Já de corpo relaxado, findo o êxtase, escutou o telemóvel tocar, muito alto, como se os telemóveis tocassem sempre mais alto e mais prolongado consoante a importância e a urgência da pretendida comunicação. Ainda assim não atendeu. Adormeceu.



segunda-feira, 8 de abril de 2013

Handy feet

 
 
Não te consigo lavar da minha pele.. dizia o outro enquanto encantava rockers and rollers of all world. Pergunto hoje às paredes quantas mãos passam em cada pessoa, durante a sua vida - seja num cumprimento de mão, numa carícia, numa masturbação ou até num acenar, em jeito de adeus ou olá. É claro que as paredes não respondem. Toda a body language é importante, é sabido, mas as mãos realmente fazem concorrência aos olhos. Muita.
 
 
 

domingo, 7 de abril de 2013

Lights down

Depois de a ter visto no cais de embarque, as mãos deixaram de tremer. Não tinha visto apariçao, não era milagre da cova, não era alucinação de Panoramix. Era uma mulher. Uma Mulher.